S&P500
Atualização em 03 de abril
Na quarta-feira, os mercados acionários dos Estados Unidos registraram quedas expressivas após a assinatura da ordem executiva de Donald Trump, que determinou aumentos agressivos de tarifas sobre diversos países. O Dow Jones, o NASDAQ e o S&P 500 recuaram 2%, com o S&P 500 fechando em 5.535 pontos, dentro da faixa entre 5.500 e 6.000.
A medida impactou especialmente a China, que enfrentará tarifas adicionais entre 34% e 44%. A União Europeia também foi atingida com taxas variando entre 20% e 30%. Além disso, uma tarifa geral de 10% foi imposta a todas as nações, inclusive a Israel, que já havia eliminado tarifas sobre produtos norte-americanos antes da decisão de Trump. Por outro lado, México e Canadá foram poupados de aumentos significativos, enquanto o Reino Unido está sujeito apenas à tarifa básica de 10%.
A resposta do mercado foi imediata e negativa. Investidores demonstraram preocupação com a escalada da guerra comercial e a crescente possibilidade de uma recessão global. Como reflexo, os futuros de Wall Street caíram cerca de 3%, acompanhados pelo índice Nikkei e pelas ações europeias, que registraram perdas em torno de 1,7%.
Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA atingiram mínimas de vários meses, enquanto o índice do dólar americano despencou para o menor nível em quase seis meses. O cenário reflete a incerteza sobre os impactos da nova política tarifária e a possibilidade de represálias por parte dos países afetados.
O dólar americano caiu acentuadamente em relação ao iene japonês.
O anúncio de Trump foi feito com grande drama, pois o Presidente Donald Trump leu várias tarifas ao vivo usando um grande quadro azul e amarelo. As principais tarifas da nova lista foram:
- 34% de tarifas adicionais sobre a China
- 20% para a UE
- 32% para Taiwan
- 24% para o Japão
- 46% para o Vietnã
A imposição de tarifas elevadas sobre produtos asiáticos gerou um impacto imediato no setor de tecnologia, aumentando consideravelmente os custos das cadeias de suprimentos. As ações da Apple caíram 7% após o anúncio, refletindo as preocupações dos investidores com os efeitos da medida.
Apesar da justificativa da Casa Branca, a maioria dos analistas enxerga o fim do livre-comércio como um obstáculo significativo ao crescimento econômico dos Estados Unidos e do mundo. Esse pessimismo já se reflete nas expectativas de mercado, com os futuros dos fundos federais precificando uma redução de até 80 pontos-base nas taxas de juros pelo Federal Reserve ainda este ano.
Entretanto, a situação é paradoxal: as tarifas podem acelerar a inflação nos EUA, pressionando o Fed a agir. Estima-se que os preços de carros novos possam aumentar entre US$ 6.000 e US$ 10.000 devido às novas tarifas. Embora as autoridades do Fed afirmem que tratarão esse efeito como um choque pontual, a experiência da pandemia demonstrou que as empresas podem aproveitar o momento para elevar preços e atribuir a culpa a fatores externos.
Outro ponto crítico é a incerteza sobre a duração dessas tarifas. A Casa Branca sinalizou abertura para negociações, mas, enquanto isso, as empresas enfrentarão dificuldades para planejar investimentos de longo prazo em um ambiente volátil e imprevisível.
Principais eventos que podem afetar os mercados na quinta-feira:
- Dados comerciais dos EUA;
- Índice do setor de serviços ISM;
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego
O petróleo Brent está sendo negociado a US$ 72,60 por barril, registrando uma queda de aproximadamente US$ 2 no dia. O principal fator por trás desse recuo são as novas tarifas impostas por Trump. Além do impacto imediato, a expectativa de uma redução no comércio global, aliada a uma possível diminuição na produção e na demanda, pode exercer pressão negativa de longo prazo sobre os preços do petróleo.
Conclusão
Infelizmente, o impacto das ações de Trump sobre as economias global e dos EUA revelou-se muito mais forte do que o previsto. Já era esperado que Trump aumentasse as tarifas, mas os analistas estimavam um aumento em torno de 10%. Como podemos ver, as tarifas foram elevadas muitas vezes acima desse patamar. Gostaríamos de acreditar no melhor cenário, mas é muito provável que isso leve a uma desaceleração econômica séria nos EUA e possivelmente a uma recessão — ou até mesmo a uma depressão prolongada, com analogias à Grande Depressão sendo bastante plausíveis.
Diante disso, a tendência de alta no mercado acionário americano passa a ser questionável. Ainda assim, pode fazer sentido manter posições compradas e acompanhar de perto os movimentos do mercado hoje. No entanto, se sua conta estiver altamente alavancada, talvez seja prudente encerrar parte das posições.